quinta-feira, 12 de maio de 2011

O leitor-modelo



O leitor-modelo

Umberto Eco

Resumo: Professora Márcia Regina Santos

Segundo Umberto Eco, o leitor é sempre postulado como um operador do texto porque é responsável por sua atualização. Um texto é sempre incompleto diante do olhar do destinatário. Enquanto o leitor não interage com o texto, este último continua sem voz ativa, fraco, preguiçoso, como nomeia o próprio Umberto Eco. E para que haja a atualização, o leitor precisa ser cooperativo, consciente e ativo no momento da leitura.

Num processo de leitura que vai além do superficial, aparece o “Não-dito”, ou seja, o que está entremeado no texto. Para fazer parte deste processo, o leitor precisa efetuar uma série complexa de movimentos cooperativos, entre eles, a operação extensional e a inferencial.

É importante destacar que os espaços em brancos são propositalmente deixados no texto para que o leitor faça o exercício de atualização. Isso acontece por dois motivos: primeiramente, um texto é um mecanismo preguiçoso, econômico que vive da valorização de sentido que o destinatário ali introduz; depois, porque à medida que um texto passa da função didática para a estética, quer deixar ao leitor a iniciativa interpretativa, alguém precisa ajudar o texto a funcionar.

Prever o leitor de um texto pode ser um mecanismo bastante complexo, afinal, a competência do destinatário não é necessariamente a do emitente. Da mesma forma acontece com os códigos, que podem se diferenciar porque não são uma entidade simples. Muitas vezes, para que a comunicação ocorra, são necessários códigos que nem a lingüística explica, ou seja, para decodificar uma mensagem, o leitor terá que levar em consideração fatores circunstanciais, uma capacidade passível de desencadear pressuposições, de reprimir a pessoalidade.

Na comunicação face a face intervêm infinitas formas de reforço extralingüístico ( semiótica) e infinitos procedimentos de redundância e feedback. Isso mostra que nunca existe uma mera comunicação lingüística, mas um sistema de signos que se completam reciprocamente. Baseado nisso, o autor deve prever um leitor-modelo, capaz de cooperar para atualização textual. Portanto, gerar um texto significa executar uma estratégia de que fazem parte as previsões dos movimentos dos outros.

Por outro lado, não é preciso contar apenas com as inferências do destinatário; o autor pode instituir a competência do leitor-modelo, movendo o texto de modo a construí-lo.

No amplo espaço da leitura, há textos prontos, que induzem a interpretação e há textos abertos, que podem ser lidos de infinitas maneiras. O destino do texto diante do leitor é uma incógnita, pois podemos eventualmente nos depararmos com exemplos de obras que foram escritas para um fim e tiveram outro; ou então, uma obra foi escrita estritamente para um fim( um leitor específico) e caiu nas mãos de leitores mais cooperativos, que tiveram a habilidade de ler o não-dito. Definir a finalidade de um texto pode ser uma estratégia perigosa e repressiva. Um texto, de repressivo e autoritário, pode passar , num relance, a um texto aberto, de mil faces.

Devemos distinguir entre o uso livre de um texto aceito como estímulo imaginativo e a interpretação de um texto aberto. Nesse sentido, a interpretação sempre envolve um diálogo entre a estratégia do autor e a resposta do leitor-modelo, porque o texto pode ser de fruição ou gozo. Aqui, vale ressaltar a reescrita do texto, não simplesmente como uma releitura, mas como uma crítica ao texto original. Também é importante registrar a legitimidade do texto e as suas outras dimensões, afinal, precisamos decidir se queremos exercitar as infinitas interpretações ou se desejamos apenas interpretá-lo, sem ampliar o universo do discurso.

Num processo de comunicação, o autor e o leitor podem servir de estratégia textual, afinal, em inúmeros textos são gramaticalmente manifestados, como é o caso do uso da primeira pessoa. Mas isso só acontece em textos que são lidos para adquirir informação a cerca do autor e das circunstâncias de enunciação. Já em textos com recepções mais vastas, como romances, e instruções científicas, o autor e o leitor deixam de ser pólos do ato de enunciação e passam a ser participantes da ação. O autor não é visto através de um pronome claro, mas pode ser percebido pelo estilo da escrita, por exemplo. Nesses últimos tipos de textos, é importante salientar que o perfil intelectual do leitor será determinado pelas exigências feitas pelo texto, afinal, para entendê-lo, o leitor terá que executar seus conhecimentos prévios. O leitor-modelo constitui um conjunto de condições de êxito, textualmente estabelecidas, que devem ser satisfeitas para que um texto seja simplesmente atualizado no seu conteúdo potencial.

Para finalizar as colocações de Umberto Eco, é necessário falar sobre o autor como hipótese interpretativa. Assim como se destaca o autor como sujeito da enunciação, aquele que formula uma hipótese de leitor-modelo, há o leitor empírico, que é sujeito da cooperação interpretativa, que deve configurar para si uma hipótese de autor-modelo. Isso acontece a partir das estratégias textuais apresentadas pelo autor. Nesse processo, podem ocorrer alguns equívocos entre o leitor e o seu autor-modelo, pois as hipóteses sobre o autor podem ser levantadas a partir de informações prévias que o leitor possui do autor empírico enquanto sujeito da enunciação. Por isso, é necessário que o leitor fique atento às intenções virtualmente presentes no enunciado, para que não haja discriminações.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O impacto da socialização da linguagem no desenvolvimento gramatical

Elinor Ochs e

Bambi Schieffelin

Resumo: Professora Márcia Regina Santos

Tópico escolhido: Uma oferta

Segundo Ochs e Schiffelin (1984), a socialização da linguagem tem sido amplamente estudada sem se considerar a dinâmica do desenvolvimento gramatical. É necessário explicar quando, como e por que as crianças usam e entendem as formas gramaticais no período inicial de suas vidas. Se levarmos em consideração as realidades culturais, veremos que a socialização da linguagem produz um modelo mais sofisticado do desenvolvimento gramatical, porque observa aspectos como ideologia e a ordem social como forças que organizam o uso e a compreensão das formas gramaticais pelas crianças. Se os estudos forem feitos desta forma, teremos um modelo enriquecido de socialização, afinal, explicará o desenvolvimento das crianças em termos de significados indexicais das formas gramaticais. Essa abordagem baseia-se no pressuposto de que, em todas as comunidades, as formas gramaticais encontram-se intimamente ligadas, não podem ser separadas.

A frequência com que uma forma gramatical é usada no ambiente da criança pode ou não estar relacionada ao tratamento que ela dispensa às formas gramaticais: uma construção gramatical pode estar presente em todo o meio auditivo da criança e, mesmo assim, ela pode utilizar esta construção somente em um ponto bem posterior de seu desenvolvimento. A relação entre audição e o uso da forma gramatical não é necessariamente automática, porque a criança pode estar sintonizada com certas indexações, mas não usar essa forma com frequência.

O diferencial entre uma abordagem da socialização da linguagem, tão defendida por Ochs e Schieffelin, e a abordagem funcionalista é que a primeira relaciona o uso e a compreensão a disposições, preferências, crenças e conjuntos de conhecimentos complexos e a segunda, fica apenas no nível do contexto de informação e ação imediatos das formas gramaticais. Na abordagem da socialização, o uso e compreensão de formas gramaticais pelas crianças são culturalmente reflexivos, ligados, de muitas formas, a visões locais de como pensar, sentir, saber, (inter)agir ou projetar uma pessoa social ou construir uma relação. Isso, entre outras coisas, a torna uma abordagem universal.

Dessa forma, a socialização da linguagem não tem fronteiras, porque as crianças estão sendo socializadas em todo o mundo, utilizando recursos gramaticais semelhantes para indexar pensamentos, sentimentos, conhecimentos, identidades, atos e atividades.

A abordagem da socialização da linguagem integra propriedades locais e universais da linguagem na cultura. Fornece, em especial, um modelo culturalmente organizado de meios-fins do desenvolvimento gramatical porque, em muitas culturas diferentes, os indivíduos pertencentes às mesmas baseiam-se em certos meios linguísticos semelhantes para atingir certos fins sociais semelhantes, como o uso de quantificadores para indexar a intensidade afetiva. Por outro lado, estes fins são culturalmente organizados em termos de abrangência situacional, ou seja, quem, como, quando e onde este fim é atingido de forma apropriada. Portanto, as comunidades são ao mesmo tempo parecidas e diferentes nas maneiras em que se baseiam em recursos gramaticais. E quando as crianças cruzam as fronteiras das comunidades linguísticas, também são parecidas e diferentes.

A leitura no desenvolvimento da criança



Flávia Brochetto Ramos (texto original)


A história registra que a participação da criança no desenvolvimento da sociedade é bastante recente. A infância não era vista como uma fase especial da vida, que deveria ser estudada.

E na literatura não foi diferente. Apenas em 1697 surge uma literatura específica para crianças, através de contos publicados por Perrault.

Inicialmente, a criança era uma projeção do adulto, ou seja, um ser- modelo, à semelhança dos mais velhos. Longe de traquinagens, brincadeiras, roupas sujas e atitudes arteiras.

Somente no século XX é que as crianças passam a ser objeto de estudo, cuja finalidade é averiguar as características do desenvolvimento na área mental e física.

De acordo com Piaget(1980), o desenvolvimento psíquico inicia quando uma pessoa nasce e termina na idade adulta, ao atingir o pensamento hipotético-dedutivo. Tudo ocorre de acordo com os estímulos recebidos, que, ao se organizarem, se equilibram: sempre depois de uma ruptura vem um equilíbrio. Piaget descreve a evolução da criança e do adolescente pela modificação das estruturas cognitivas que resultam na construção do conhecimento. Dessa forma, ele sistematiza a tese de que a interação permanente entre o homem e ambiente propicia equilíbrios cada vez mais complexos.

No processo de desenvolvimento da criança, a leitura aparece como um evento que pode provocar modificações porque a ação humana efetiva-se mediante interação constante do sistema cognitivo interno com o objeto. Aqui, o objeto pode ser a literatura. Assim, vai-se construindo o conhecimento, pois desse processo de interação surge a assimilação. Esse contato com o mundo dos objetos gera comportamentos diversos como a imitação, que é vista como uma manifestação da aprendizagem.

Na abordagem de Flávia Brochetto Ramos, destaca-se o jogo simbólico – quando a criança age utilizando outros objetos para representar aqueles no mundo adulto. Mesmo Piaget não mencionando a literatura como um material simbólico, sabemos que, inicialmente, a narrativa está ligada diretamente ao pensamento mágico e concreto e pode ser um recurso que conduz à abstração, implicando neste processo habilidades como análise, síntese, conservação, transformação.

No direcionamento para o pensamento abstrato, acredita-se que a criança possa interagir tanto com a literatura oral e escrita, quanto com as modalidades de sentido da palavra e da ilustração. A instauração na relação entre sujeito e literatura ocorre quando a criança faz um jogo intelectual e simbólico que possibilita um diálogo interno do receptor consigo mesmo. Aqui, é necessário salientar que a criança relaciona-se diretamente com o texto literário e desvela, progressivamente, os seus possíveis sentidos.

Quanto ao desenvolvimento da criança na concepção social, Vygotsky acrescenta ao estudo da cognição humana a ideia de que o homem elabora o conhecimento e o aplica às situações culturais. Vygotsky vê os produtos da atividade cerebral inter-relacionados com o contexto sócio-cultural. Daí vem o conceito da mediação - processo que permite que as atividades dependentes se tornem emancipatórias. Neste processo, então, a literatura infantil pode colaborar porque é concebida como uma forma de mediação do mundo com a criança, uma vez que propõe um universo diferente do real e que respeita as possibilidades de entendimento do pequeno receptor, a fim de estimular interesses e despertá-lo para diferentes aspectos do mundo.

A literatura potencializa o sujeito, porque, à medida que entra em contato com o objeto leitura, a criança gera um novo estágio que nega o anterior e aí ocorre o amadurecimento e a capacidade de expressar fantasias, conflitos e interferir na realidade.

A literatura interfere na construção da identidade de uma criança, pois inúmeros valores são passados pela leitura, que, gradativamente, apresenta ao leitor infantil, por meio de diferentes interações culturais, esses valores. Destacam-se aqui textos folclóricos, como as lendas, as cantigas de ninar, os brincos, os trava-línguas e a poesia. Esses textos possibilitam que a criança entre em contato com diferentes estruturas, contribuindo sensivelmente para o seu desenvolvimento cognitivo.

Para explicar a consolidação do aprendizado, Vygotsky criou o conceito de zona real e proximal. O desenvolvimento real é dado pelas próprias condições da vida, que obrigam o indivíduo a resolver problemas e a tomar decisões; o proximal refere-se à capacidade que o homem possui de chegar a formas e a comportamentos ilimitados de aperfeiçoamento. Por isso é necessário ter ao alcance da criança uma gama farta de experiências desafiadoras que a possibilitem interação com indivíduos que possuam mais conhecimento naquela determinada área, a fim de expandir sua zona de desenvolvimento proximal.

Outros tantos aspectos permeiam o estudo da literatura no desenvolvimento da criança. Wallon e Vygotsky, por exemplo, afirmam que devido às peculiaridades da interação, explicam-se as diferenças observadas em indivíduos da mesma idade. Isso ocorre porque estão sujeitos a ambientes diferenciados, constituídos por variáveis muito diversificadas. Por isso Ricardo Azevedo ( 2001) afirma que a tentativa de classificar os leitores em idades é uma atitude autoritária que desconsidera as vivências peculiares do indivíduo.

Francisco Varela, em seus estudos, fala sobre a relação do conhecimento com a cibernética, ou seja, estuda a comunicação entre organismos vivos e máquinas. O computador representa um símbolo de pensamento.

Gardner ( 1994) defende a poesia como uma estratégia para ampliar as competências cognitivas do homem. Ele ressalta que a inteligência linguística é desenvolvida, principalmente, pela poesia e aponta o poeta como exemplo máximo de competência no emprego da linguagem, por isso, acredita-se que a poesia seria uma forma muito interessante de ampliar o desenvolvimento proximal da criança.

É preciso romper com a visão de que a literatura não gera conhecimento. A criança que convive com a literatura, oral ou escrita, popular ou artística, convive com um horizonte de expectativas diferente daquele da sua vida concreta. A literatura tem a função de alargar o campo limitado da vivência individual, sugerindo novos desejos, novos objetivos, abrindo caminho para uma experiência futura.

Professora Márcia Regina Santos (Resumo)



quinta-feira, 14 de abril de 2011

O ensino da língua portuguesa no Ensino Médio

Não posso deixar de insistir nas reflexões sobre o ensino da língua portuguesa no Ensino Médio, porque parece que as coisas não se esclarecem, não tomam um rumo, ficam sombrias.

Vamos lá:

1. Os alunos passam 9 anos( Ensino Fundamental) aprendendo muita gramática normativa, trabalham poucos textos e fazem pouquíssimas redações. Ok! No EM, os alunos veem tudo novamente: classes gramaticais, então, é um carma, porque aparece em todos os planejamentos.
2. Chegam ao EM e não sabem interpretar textos de pouca complexidade e têm muita dificuldade para escrever um parágrafo argumentativo simples.
3. No EM, não conseguem associar os conceitos gramaticais à escrita e interpretação. Por que aprendem gramática? Para entender melhor os textos, conhecer sua dinâmica e escrever melhor. Não faz sentido ensinar gramática para decorar listas de substantivos e conjugações verbais que não assumem significação se não forem explicitados num texto.
4. Por outro lado, o professor não deve usar o momento da interpretação para trabalhar gramática de identificação( ex: sublinha um adjunto adverbial de tempo no texto.). Troca por: Qual a função do adjunto adverbial na frase tal? Como ele colabora para o entendimento do parágrafo? Enfim, essa dinâmica é que ajudará nossos alunos a saírem desse marasmo de resultados que a educação brasileira vive.

O Ensino Médio não pode ser uma mera retomada de conteúdos. O aluno precisa ter a oportunidade de estudar língua portuguesa através da literatura, de gêneros textuais diversificados; os alunos necessitam criar, refletir, discutir, transformar o mundo que os cerca através do que temos de mais precioso: a linguagem.

Professora Márcia Regina

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bibliotecas fechadas II

O ano letivo iniciou para a maioria dos alunos e eu volto a chamar a atenção para o absurdo de muitas escolas permanecerem com suas bibliotecas desativadas. Tenho conversado com alguns professores e os comentários são diversos e inaceitáveis: não há quem trabalhe na biblioteca, os materiais estão ultrapassados, os livros precisam ser renovados, há muita sujeira, poeira e caixas empilhadas, a biblioteca foi transformada em depósito. Ora, assim não dá. Como falar em qualidade de ensino se não oferecemos ao aluno um ambiente adequado de leitura? A biblioteca é o coração da escola, para qualquer disciplina, para qualquer professor. Ela precisa ser limpa, organizada, alegre e palco de exposições de trabalhos, local de encontros, seminários, apresentações e aulas em geral.

Professora Márcia Regina

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Redação X Vestibular

Fico observando, em época de vestibular, a preocupação de professores e alunos quanto à redação. Muitas fórmulas são testadas para que o vestibulando se dê bem e milhares de dicas são dadas pelos professores a fim de evitar a fuga do assunto, o uso de termos inadequados, a definição de um título ruim... Enfim, preocupações importantes, mas não definitivas. Quem aprende a escrever textos ao longo do Ensino Básico, não terá problemas para desenvolver textos no concurso vestibular. E tem mais: O futuro acadêmico não pode esquecer que precisará escrever textos variados durante a faculdade. E , então, como fará?
Professora Márcia Regina

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

INCLUSÃO

Quando as instituições educacionais iniciaram as discussões sobre inclusão, aqui entendida como qualquer tipo, a primeira preocupação foi com o espaço físico, a acessibilidade. Depois, os professores ficaram alertas porque não entendiam muito bem como trabalhar em sala de aula com o PNE e o restante da turma. As questões foram sendo esclarecidas, mas muitas indagações ainda aparecem, porque, na verdade, há um distanciamento muito grande entre o que prevê a lei e o que os gestores, cooordenadores, professores e funcionários conseguem fazer. Sabemos que existe uma burocracia imensa quando um gestor quer melhorar a situação do PNE na escola. Uma reforma, turmas menores, o Atendimento Educacional Especializado ( AAE) e tantas outras questões podem levar muito tempo para serem concretizadas. O passo inicial seria trabalhar em equipe, inclusive com uma forte participação dos pais.

Professora Márcia Regina

sábado, 1 de janeiro de 2011

Proposta de redação - Uma mulher na presidência

Àqueles que aguardam pelo vestibular da UFRGS ( Universidade Federal do Rio Grande do Sul) ou mesmo qualquer outro processo de seleção, que tal escrever um texto argumentativo, opinativo ou uma crítica sobre a primeira mulher presidente do Brasil? É uma boa chance de exercitar seu poder de argumentação e posicionamento diante de uma temática tão comentada pela mídia brasileira, refletindo, inclusive, na escolha do Ministério Dilma: são 9 ministras.
Boa escrita!
Professora Márcia Regina

Um toque: sugiro a leitura de duas matérias editadas na revista Época de 27 de dezembro: a primeira, da diretora-executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, intitulada "O grande desafio é valorizar os professores" e a segunda, do historiador e escritor Joel Rufino dos Santos, intitulada " Por que o brasileiro compra livros, mas não lê."

domingo, 26 de dezembro de 2010

É momento de reflexão

Quando chega o final do ano, parece que a sensibilidade fica à flor da pele e todo mundo resolve pensar, refletir, retificar, ratificar, recomeçar, analisar, rever, ressignificar, enfim, são atitudes pontuais, infelizmente, mas são válidas.
Então, quero reafirmar minha preocupação com o ensino da Língua Portuguesa nas escolas do Brasil e mais uma vez dizer que vale a pena acreditar, mas que nossas instituições, através de seus professores, coordenadores e gestores, devem investir cada vez mais na qualidade de seu trabalho e na gestão de pessoas. É preciso respeitar o aluno, sua origem, suas peculiaridades e diferenças. O objetivo não pode ser uma nota final somente. Pense nisso.
Professora Márcia Regina

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os modismos do material didático

Eu vou me atrever a afirmar que a sala de aula é um dos poucos ambientes coletivos em que os modismos pedagógicos chegam e habitam com muita facilidade. Alguém disse que agora o que se usa é o quadro branco, então vamos colocá-lo. Outro alguém afirma que o bacana é dar aula com música, então vamos todos musicar. Mais alguém chegou dizendo que bacana é ir para a sala de informática, então vamos lá, por que esperar? Aí outros vêm e dizem que o correto mesmo é dar aula em círculo. Ora, vamos fazer um círculo. É tão fácil. Depois, veio a moda dos jogos. Tudo( introdução de conteúdo, fixação de exercícios, revisão para o teste) tinha que ser com "joguinhos". E, finalmente, o grande destaque dos últimos anos: o datashow. Nossa, os professores estão eufóricos com este recurso, afinal, é só ler para os alunos o resumo ou as passagens dos livros. Imagina, ler quatro horas seguidas um texto que muitas vezes foi simplesmente recortado de um livro. É o que está acontecendo em algumas universidades.
Ora, ora, professores! Não é o recurso que importa, mas a forma como o conduzimos em sala de aula. Não adianta fazer um círculo e ditar a matéria para o aluno copiar. Não adianta usar o datashow para fazer leitura com os alunos. É preciso que haja interação, comparação, reflexão, construção. Ânimo, pessoal!

Professora Márcia Regina

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Proposta de redação: ensinar a pensar

O segundo semestre é sempre marcado pela correria dos alunos às salas dos cursinhos. O pessoal quer revisar, reforçar e até mesmo aprender. A redação deve ser treinada, como se fosse uma forma milimetricamente medida. O aluno não consegue fazer uma análise do tema; ele precisa encaixar o assunto em trinta linhas, às vezes 25, outras, 40. Perde-se o sentido da reflexão sobre o assunto. A escola que passou 12 anos discutindo e refletindo sobre uma série de assuntos, agora, é resumida a um semestre de exaustivos momentos de estudo mecânico. Aquela escola que passou os mesmos 12 anos fazendo o aluno decorar uma infinita lista de conceitos e exemplos gramaticais recebe o título de boa, eficiente. Atenção: Não esqueçam que o aluno universitário precisa ser um indivíduo altamente pensante na faculdade. A universidade brasileira precisa promover a pesquisa, a reflexão, a observação e a integração do aluno com a comunidade. Chega de aluno individualista, que decora os conceitos para realizar provas e alcançar o sonho do canudo. Meu Deus, num trecho tão pequeno, quantas incoerências podem ser levantadas neste sistema de ensino que permeia as nossas escolas. De uma coisa eu tenho certeza: A escola precisa formar seres reflexivos, empeendedores, interessados no movimento da sociedade, ativos, preocupados em encontrar alternativas sustentáveis para amenizar os impactos ambientais.
Proposta: Desenvolve um texto crítico sobre a função formadora da escola e não somente informadora.
Márcia

Renata

Como tarefa da cadeira de Gramática II, do curso de especialização da Universidade Feevale, precisei observar uma aula de Língua Portuguesa. Escolhi uma escola municipal, perto de minha casa. E lá conheci a professora Renata Marques. Mais uma vez, depois de 21 anos de magistério dedicado a observar, pesquisar e analisar o comportamento do aluno diante do ensino da língua portuguesa, eu tive plena certeza de que não devemos desistir nunca de ensinar. Os olhos da Renata brilhavam ao me contar que está desenvolvendo um projeto de leitura com as crianças, que resultará numa radiofonia. Eles leram contos e gravarão suas vozes e todos os outros sons. Depois, a professora organizará tudo isso para ser apresentado. Que sorte daquelas crianças terem uma professora animada, que acredita no potencial delas, que tem projetos e que os aplica.
E o mais importante: Esses momentos é que marcarão a vida desses alunos. Às vezes a gente vê escolas com muito mais recursos e que se ocupam com a tarefa de encher caderno. Que pena.
Márcia

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A cidade no universo ficcional de Caio Fernando Abreu

Proposta de redação

Na disciplina de Literatura Comparada, no curso de especialização da Feevale, tive a oportunidade de reler Caio Fernado Abreu , escritor gaúcho que morava em São Paulo. Num texto de Alexandre Faria, PUC-RJ, sobre o universo ficcional de Caio Fernando Abreu, foi possível refletir sobre a ambiguidade do centro urbano. A cidade, que ao mesmo tempo apresenta possibilidades de novas realizações e encontros, também se torna uma teia onde as personagens se aprisionam e sucumbem ensimesmadas na inútil busca da identidade e completude que a cidade não oferece. As personagens de Caio Fernando Abreu são solitárias, vítimas da cruel dinâmica urbana.
Então, imaginei como poderia tansformar essa reflexão numa proposta de escrita, afinal, os jovens que estão concluindo o Ensino Médio se voltarão quase que totalmente para a cidade: farão vestibular, procurarão uma vaga no mercado de trabalho, farão parte de um sistema universitário, estarão mais expostos à inquietude da cidade.
A proposta é: Como construir uma vida independente e livre das angústias da cidade, fazendo parte do universo urbano? Como impedir que a cidade anule nossa identidade nos tornando sós e abandonados?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Proposta de redação

Escrever bons textos requer leitura, informação e, principalmente, dedicação. Nesse caso, dedicação significa exercício. Aproveita a primeira ideia de redação, de uma série que será publicada, para apresentar argumentos coerentes dentro de uma estrutura coesa. Lembrando que coerência é o equilíbrio de ideias que o texto deve apresentar, procurando ser objetivo e claro na defesa dessas ideias. E a coesão são os elementos gramaticais que ajudam a dar ao texto esta clareza e objetividade: pontuação, articuladores, vocabulário...

Proposta: As leis existem para organizar uma sociedade. Isso é fato. Quando chegou a lei seca, muita gente afirmou que só funcionaria sob uma severa fiscalização. Hoje alguns dizem que caiu no esquecimento e não há pessoal nem aparelhos suficientes para fiscalizar. Agora, os pais precisam instalar nos carros cadeirinhas para carregar seus filhos até sete anos e meio de idade. É lei e será severamente fiscalizada, segundo as autoridades. Certamente outras leis seguidas de uma rígida fiscalização serão feitas no Brasil. Com base neste pequeno comentário, escreve um texto argumentando sobre a distância entre leis que são feitas para proteger a vida e a consciência do cidadão brasileiro. Se é para proteger a vida, não é fato que a consciência deveria vir primeiro, sem precisar que um policial diga ao cidadão como ele deve proteger seus filhos?

domingo, 29 de agosto de 2010

A gramática na sala de aula

Quando surgem os modismos pedagógicos, a tendência é a adesão total, sem reflexão, sem discussão e troca de ideias. É necessário ensinar gramática na sala de aula. Quem disse que não? O problema é que não pode ser trabalhada como vemos por aí. O aluno precisa pensar sobre a gramática ( o substantivo, o adjetivo, o sintagma, enfim). Discutir com o aluno o texto que ele escreveu no que diz respeito à gramática: Como tal frase poderia ser modificada para que o texto ficasse mais claro? Qual o valor semântico da palavra X num determinado contexto? Como a vírgula pode modificar o sentido da frase? Então, professor, trabalhar a gramática na sala de aula é fundamental. O que não pode é dar listas de substantivos para que o aluno complete com adjetivos. Isso é passado. Vamos pensar junto com o aluno sobre o que ele escreve.

sábado, 31 de julho de 2010

Ler e escrever: estratégias de produção textual

O título deste comentário é o nome da obra de Ingedore Villaça Koch e Vanda Maria Elias, da editora Contexto. Aliás, leitura obrigatória para qualquer professor, de qualquer área. Estou escrevendo uma resenha sobre o livro e resolvi escolher uma pequena parte para compartilhar com vocês. Falarei sobre as marcas da oralidade.
Quando a criança passa da fase da oralidade para a escrita, ela leva muitas marcas da oralidade para o papel, o que é perfeitamente normal e rapidamente serão eliminadas.
É importante que o professor que trabalha nas séries iniciais, principalmente 1º ano, tenha consciência dessas marcas e trabalhe com tranquilidade, observando seus alunos e orientando-os da melhor maneira possível. Para tal, gostaria de dar algumas dicas que as autoras colocam. São elas: repetição ( pode ser um recurso usado para organizar uma modalidade textual. São comuns em crianças que estão na fase da aquisição da escrita.); uso de organizadores textuais continuadores típicos da fala como aí, e, daí...; justaposição de enunciados ( a criança escreve sem nenhuma marca de conexão explícita, escreve sem usar elementos que liguem ideias e não faz a transição de uma ideia para outra, excluindo, inclusive, a pontuação); escreve sem sinalizar o discurso direto e faz segmentação gráfica, ou seja, separa palavras que deveriam ser escritas juntas e junta palavras que devem ser separadas.
Então fica o alerta: Acompanhe essa transição do aluno com naturalidade, respeitando o tempo de cada um e oferecendo recursos diversificados para que este momento seja transquilo.

sábado, 10 de julho de 2010

Contrate gente inteligente

Simplesmente fantástico o texto escrito por Eloi Zanetti no site do Sinepe. Eloi Zanetti é consultor de marketing e explica em seu texto que só títulos ( pós-graduação, mestrado, doutorado) não são suficientes na hora de observar o currículo de um funcionário. Ele precisa ser dinâmico, mostrar caminhos, soluções, vibrar com os projetos da empresa em que trabalha ou que pretende trabalhar.
O texto fica como lição para aqueles empresários que não valorizam a experiência dos quarentões ou daqueles que não usam terno e gravata, mas que possuem ideias de grandes executivos.
Contrate gente inteligente. Depois, a eles, a empresa dá os títulos.
Professora Márcia Regina

domingo, 4 de julho de 2010

Bibliotecas fechadas?

É inconcebível a ideia de termos salas de leitura, estudo e pesquisa, que deveriam estar permanentemente abertas, sem que isso fosse sequer discutido, fechadas. Sabem de que salas de estudo eu falo? Das BIBLIOTECAS. Como pode alguém cogitar manter uma escola sem uma biblioteca alegre, viva, cheia de alunos transitando, sedentos de leitura? É preciso repensar a biblioteca como o coração da escola e não um espaço meramente ilustrativo, com hora marcada para ser visitado. É na biblioteca que as grandes aulas deveriam acontecer.

Professora Márcia Regina

sexta-feira, 11 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

o jovem e as eleições

Mais uma eleição se aproxima e também mais uma vez é feita a pergunta: Como promover uma maior participação do jovem na política? Fazer o título eleitoral e votar são apenas os primeiros passos para a concretização da participação do jovem nesse cenário. Mas como fazê-lo compreender que ele precisa estar mais presente nas decisões e conhecer melhor a máquina do Estado. Uma forma infalível é a informação. Saber quem são os candidatos é fundamental, mesmo que sejam nomes badalados pela mídia ou pela história. Conhecer como funcionam os poderes Executivo e Legislativo, principalmente. Pois assim, o jovem eleitor terá contato com as leis. É preciso estar atento ao movimento das plataformas dos candidatos: o que é possível e o que falácia.
O meu discurso não é novo. Mas a consciência é um exercício permanente. Não adianta exigir dos governantes um posicionamento que o próprio eleitor não tem. Este processo de eleições começa por cada um de nós e, num crescente, se fizermos tudo conforme o que prega a democracia no Brasil, com certeza, começaremos a ver resultados diferentes.
Para os meninos e meninas que estão se preparando para o vestibular, que tal desenvolver uma dissertação de 30 linhas sobre o tema.

Professora Márcia Regina