quinta-feira, 14 de abril de 2011

O ensino da língua portuguesa no Ensino Médio

Não posso deixar de insistir nas reflexões sobre o ensino da língua portuguesa no Ensino Médio, porque parece que as coisas não se esclarecem, não tomam um rumo, ficam sombrias.

Vamos lá:

1. Os alunos passam 9 anos( Ensino Fundamental) aprendendo muita gramática normativa, trabalham poucos textos e fazem pouquíssimas redações. Ok! No EM, os alunos veem tudo novamente: classes gramaticais, então, é um carma, porque aparece em todos os planejamentos.
2. Chegam ao EM e não sabem interpretar textos de pouca complexidade e têm muita dificuldade para escrever um parágrafo argumentativo simples.
3. No EM, não conseguem associar os conceitos gramaticais à escrita e interpretação. Por que aprendem gramática? Para entender melhor os textos, conhecer sua dinâmica e escrever melhor. Não faz sentido ensinar gramática para decorar listas de substantivos e conjugações verbais que não assumem significação se não forem explicitados num texto.
4. Por outro lado, o professor não deve usar o momento da interpretação para trabalhar gramática de identificação( ex: sublinha um adjunto adverbial de tempo no texto.). Troca por: Qual a função do adjunto adverbial na frase tal? Como ele colabora para o entendimento do parágrafo? Enfim, essa dinâmica é que ajudará nossos alunos a saírem desse marasmo de resultados que a educação brasileira vive.

O Ensino Médio não pode ser uma mera retomada de conteúdos. O aluno precisa ter a oportunidade de estudar língua portuguesa através da literatura, de gêneros textuais diversificados; os alunos necessitam criar, refletir, discutir, transformar o mundo que os cerca através do que temos de mais precioso: a linguagem.

Professora Márcia Regina

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bibliotecas fechadas II

O ano letivo iniciou para a maioria dos alunos e eu volto a chamar a atenção para o absurdo de muitas escolas permanecerem com suas bibliotecas desativadas. Tenho conversado com alguns professores e os comentários são diversos e inaceitáveis: não há quem trabalhe na biblioteca, os materiais estão ultrapassados, os livros precisam ser renovados, há muita sujeira, poeira e caixas empilhadas, a biblioteca foi transformada em depósito. Ora, assim não dá. Como falar em qualidade de ensino se não oferecemos ao aluno um ambiente adequado de leitura? A biblioteca é o coração da escola, para qualquer disciplina, para qualquer professor. Ela precisa ser limpa, organizada, alegre e palco de exposições de trabalhos, local de encontros, seminários, apresentações e aulas em geral.

Professora Márcia Regina

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Redação X Vestibular

Fico observando, em época de vestibular, a preocupação de professores e alunos quanto à redação. Muitas fórmulas são testadas para que o vestibulando se dê bem e milhares de dicas são dadas pelos professores a fim de evitar a fuga do assunto, o uso de termos inadequados, a definição de um título ruim... Enfim, preocupações importantes, mas não definitivas. Quem aprende a escrever textos ao longo do Ensino Básico, não terá problemas para desenvolver textos no concurso vestibular. E tem mais: O futuro acadêmico não pode esquecer que precisará escrever textos variados durante a faculdade. E , então, como fará?
Professora Márcia Regina

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

INCLUSÃO

Quando as instituições educacionais iniciaram as discussões sobre inclusão, aqui entendida como qualquer tipo, a primeira preocupação foi com o espaço físico, a acessibilidade. Depois, os professores ficaram alertas porque não entendiam muito bem como trabalhar em sala de aula com o PNE e o restante da turma. As questões foram sendo esclarecidas, mas muitas indagações ainda aparecem, porque, na verdade, há um distanciamento muito grande entre o que prevê a lei e o que os gestores, cooordenadores, professores e funcionários conseguem fazer. Sabemos que existe uma burocracia imensa quando um gestor quer melhorar a situação do PNE na escola. Uma reforma, turmas menores, o Atendimento Educacional Especializado ( AAE) e tantas outras questões podem levar muito tempo para serem concretizadas. O passo inicial seria trabalhar em equipe, inclusive com uma forte participação dos pais.

Professora Márcia Regina

sábado, 1 de janeiro de 2011

Proposta de redação - Uma mulher na presidência

Àqueles que aguardam pelo vestibular da UFRGS ( Universidade Federal do Rio Grande do Sul) ou mesmo qualquer outro processo de seleção, que tal escrever um texto argumentativo, opinativo ou uma crítica sobre a primeira mulher presidente do Brasil? É uma boa chance de exercitar seu poder de argumentação e posicionamento diante de uma temática tão comentada pela mídia brasileira, refletindo, inclusive, na escolha do Ministério Dilma: são 9 ministras.
Boa escrita!
Professora Márcia Regina

Um toque: sugiro a leitura de duas matérias editadas na revista Época de 27 de dezembro: a primeira, da diretora-executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, intitulada "O grande desafio é valorizar os professores" e a segunda, do historiador e escritor Joel Rufino dos Santos, intitulada " Por que o brasileiro compra livros, mas não lê."

domingo, 26 de dezembro de 2010

É momento de reflexão

Quando chega o final do ano, parece que a sensibilidade fica à flor da pele e todo mundo resolve pensar, refletir, retificar, ratificar, recomeçar, analisar, rever, ressignificar, enfim, são atitudes pontuais, infelizmente, mas são válidas.
Então, quero reafirmar minha preocupação com o ensino da Língua Portuguesa nas escolas do Brasil e mais uma vez dizer que vale a pena acreditar, mas que nossas instituições, através de seus professores, coordenadores e gestores, devem investir cada vez mais na qualidade de seu trabalho e na gestão de pessoas. É preciso respeitar o aluno, sua origem, suas peculiaridades e diferenças. O objetivo não pode ser uma nota final somente. Pense nisso.
Professora Márcia Regina

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os modismos do material didático

Eu vou me atrever a afirmar que a sala de aula é um dos poucos ambientes coletivos em que os modismos pedagógicos chegam e habitam com muita facilidade. Alguém disse que agora o que se usa é o quadro branco, então vamos colocá-lo. Outro alguém afirma que o bacana é dar aula com música, então vamos todos musicar. Mais alguém chegou dizendo que bacana é ir para a sala de informática, então vamos lá, por que esperar? Aí outros vêm e dizem que o correto mesmo é dar aula em círculo. Ora, vamos fazer um círculo. É tão fácil. Depois, veio a moda dos jogos. Tudo( introdução de conteúdo, fixação de exercícios, revisão para o teste) tinha que ser com "joguinhos". E, finalmente, o grande destaque dos últimos anos: o datashow. Nossa, os professores estão eufóricos com este recurso, afinal, é só ler para os alunos o resumo ou as passagens dos livros. Imagina, ler quatro horas seguidas um texto que muitas vezes foi simplesmente recortado de um livro. É o que está acontecendo em algumas universidades.
Ora, ora, professores! Não é o recurso que importa, mas a forma como o conduzimos em sala de aula. Não adianta fazer um círculo e ditar a matéria para o aluno copiar. Não adianta usar o datashow para fazer leitura com os alunos. É preciso que haja interação, comparação, reflexão, construção. Ânimo, pessoal!

Professora Márcia Regina